Herson Capri volta aos palcos após infarto e faz desabafo sobre a finitude: “pode ser o fim”
O ator Herson Capri, um dos nomes mais conhecidos da teledramaturgia brasileira, viveu recentemente um momento delicado que poderia acontecer com qualquer pessoa — e que, quando atinge uma figura pública, acaba reverberando ainda mais. Aos 74 anos, ele sofreu um infarto em 17 de fevereiro e precisou ser operado às pressas, passando por um procedimento com colocação de stent, usado para auxiliar o fluxo sanguíneo em artérias do coração. Pouco tempo depois, em recuperação, Capri decidiu falar abertamente sobre o impacto desse susto.
E foi justamente a franqueza do ator que chamou atenção: ele descreveu o medo, a sensação de fragilidade e a forma como a cabeça imediatamente vai para o pior cenário — porque, segundo ele, em situações assim, a gente pensa: “pode ser o fim”. Ainda assim, Capri também buscou um tom sereno para explicar que está se cuidando, se recuperando bem e encarando o episódio com maturidade.
O susto que muda a chave por dentro
Infarto é uma palavra que assusta por si só. Mesmo quando o atendimento é rápido e o procedimento é bem-sucedido, a experiência costuma deixar marcas que vão além do físico. Muda o ritmo, muda a rotina, muda a forma de enxergar o tempo.
No relato do ator, a impressão é a de quem levou um choque de realidade: você pode estar trabalhando, com planos e compromissos, e de um dia para o outro o corpo “puxa o freio de mão”. É quando aparecem as perguntas que a gente normalmente empurra para depois: “E se eu não voltar?”, “E se for mais grave?”, “E se eu não tiver outra chance?”
E é aí que entra o desabafo do artista — não como dramatização, mas como um lembrete de que a vida não é garantida. O medo vem, a insegurança vem, e a consciência de finitude se impõe.
O que é um stent e por que ele é usado
Para quem não está familiarizado com o termo, o stent é como uma pequena “mola” (um tubo de malha metálica) colocada dentro de uma artéria para ajudar a mantê-la aberta e permitir que o sangue circule melhor. Ele costuma ser indicado quando existe obstrução nas artérias coronárias, que alimentam o coração.
Esse tipo de procedimento, apesar de comum na cardiologia moderna, não deixa de ser um evento sério. Não é “só um susto”: é uma intervenção que exige cuidado, mudanças de hábitos (quando necessárias), acompanhamento médico, medicações e atenção redobrada.
“Pode ser o fim”: o peso emocional do depois
Talvez a parte que mais tocou o público tenha sido justamente a expressão do ator sobre o que passa pela cabeça numa hora dessas. Não é apenas o medo da dor — é o medo do desconhecido e, principalmente, da possibilidade real de não haver volta.
Capri também pontuou uma visão que, para muita gente, soa como um aprendizado duro: com a idade, esses pensamentos ficam mais frequentes. A morte deixa de ser uma ideia distante e vira algo que “entra na sala”, senta no sofá e se faz notar. E isso não precisa ser encarado como desespero: pode ser encarado como consciência.
Em outras palavras: quando você se dá conta de que a vida é finita, certas coisas perdem importância — e outras ganham um valor enorme. Prioridades mudam. A pressa muda de sentido. E o que antes parecia “para qualquer dia” passa a parecer “para agora”.
A volta aos palcos: trabalho, propósito e recomeço
Outro ponto que chamou atenção foi a decisão do ator de retornar ao teatro. Mesmo após o episódio, ele confirmou retorno aos palcos em 5 de março, integrando o elenco da peça “A Sabedoria dos Pais”, ao lado de Natália do Vale, em São Paulo.
Esse retorno carrega um simbolismo forte: a arte como rotina, o palco como casa, o trabalho como forma de seguir. Para muitos artistas, voltar à cena não é apenas “cumprir agenda”; é recuperar identidade e propósito, colocar os pés no chão e reafirmar que ainda há vida pulsando — e projetos esperando para acontecer.
A peça, assinada por Miguel Falabella (texto e direção), reúne nomes experientes e carismáticos, e tem tudo para conversar com o público justamente por abordar temas ligados à família, ao tempo, às relações e às marcas que a vida deixa. Nesse contexto, a presença de Capri ganha outra camada: não é apenas atuação — é também atravessamento de vida real.